18 de mar. de 2013

Ou você vive, ou imagina.
Mesclar é imaginar o que você viveu.
Tom Zé cantando 'amar'...
sinto falta daquelas árvores que faziam uma cortina de sensações...
Há pelos sobre a mesa. São cinzas e brancos.
Led nos ouvidos...
arranhões quentes riscados sobre as pernas.
e as coisas continuavam lá.

6 de ago. de 2012

É preciso acreditar na metafísica afim de que essas coisas aconteçam. e se acontecerem? 
continua-se vivendo, pensando novas.

29 de abr. de 2012

Assim que acabou a ligação viu na parede a palavra solidão. no meio de tantas outras que caiam-lhe sobre as letras uma chuva embaçada. e bem no centro, abaixo de tudo. poderia desenhar pra você. tinha me prometido escutar Jorge Mautner. amálgama.

14 de mar. de 2012

os tomates cresceram sob minha janela. recuerdo.
sons de pássaros através das buzinas.
borboletas perdidas nesse descampado.

por que dizemos amém?
a tudo. a isso.

10 de out. de 2011

nos cadernos antigos beleza e um baseado escondido há tempos. alimentou o deus. percebeu uma delícia no que foi. sentiu vontade de não contar-se ao mundo. mas sempre lembrava dele repetindo: - escreve tuas perguntas...
- elas não querem sair...
e lembrou-se vagamente que um dia doeu deixá-lo. não tê-lo.
e percebeu que algo dentro pedia. e não lembrava como era. mas sabia que havia a possibilidade de...
andando sobre o sonho lembrou que havia algo que era seu. um pedido de menina. mas talvez fosse preciso enfrentar medos.
então moveu-se. lentamente.
e viu a tomada do alto. circulando sobre o belo.
e uma tristeza profunda foi compreendida.

19 de mar. de 2011

20 de jan. de 2011

e se você soubesse todos os segredos de alguém?
isso me lembra morte.
muito peso suportar duas vidas.
sempre sofri pelo desespero dos outros.
um dia um menino perdeu o guarda chuva e eu sofri.
percebi como a perda é dúbia.
é uma mistura de desespero e esperança.
e quando passa você percebe que continua ali.
e esperta sofre d'um jeito diferente.

e havia o jardim amarelo do seu lado direito.
o vermelho do lado esquerdo.
e verde em cima e em baixo.

não há como saber o que sente um corpo que não sente nada.
a boca não fala. os olhos não veem. a pele não sente. mas... o que sente?
e quem sente?
[não importa. mesmo]

...

19 de jan. de 2011

a areia da praia dentro da garrafa mantém-se sempre úmida.sal?
mão pro céu.
sítio.
jardim de terra e árvores. alto.
viajar.
raizes voam?
de vez em quando vislumbro fagulhas da essência.
a minha.
preciso regar a planta.
agora. já é a enésima vez que lembro. ela tem sede e também eu.
sede salgada.
...saciada.
me distrais.
de quando lia no dicionário sobre a palavra cair enquanto escutava "eu já caí na desgraça"
estranho.
'olhar.ver.ouvir.calar.'

18 de jan. de 2011

à minha frente esse "mundo enquadrado" (I)limitado
algumas coisas que eu posso dizer adeus
piaf cantando o amor
aquela manhã
você não precisa aceitar tudo. nem eu.

3 de jan. de 2011

o corpo incha
escurece
cai

buracos erosados
e a alma não quer deixar
'quem' sabe das coisas?

ainda bem,coisas belas.
a sirene anunciava os sintomas.

e finalmente a liquidez densa e escura.
e não havia dúvidas.

a voz mais suave do mundo.

1 de jan. de 2011

enquanto caía, a chuva, fininha sobre a cidade. sob a cidade. sobe a cidade. sobra a cidade e seu deserto concreto. ecos. monstros que giram. calçada molhada.
era como se a chuva explodisse suas lágrimas.

na cidade que continuava ali. e ela nela. céu fogo cinza de papel queimado. naquele dia. todos os seus segredos viraram folhas. um saco plástico imenso de papel picado molhado. e a chuva continuava a cair, fininha, branca pálida.

25 de dez. de 2010

você me contou da dor água viva.
fiz batatas com queijo ao molho de morangos para você.
o gato lambeu o resto do iogurte. morango.
e no resto do mundo.

24 de dez. de 2010

toda a estória era a sua?
no banco traseiro de um taxi. um caderno. letras contando d'um livro do 'não sei'.
leve sorriso por dentro.
'je ne t'aime plus...
mentira...'

1 de out. de 2010

noite embalada. um ronco silencioso. um dia claro. barulhos inconvenientes e necessários. claridade e igualdade. o belo miúdo que deixa saudade e acalanto. uma fila dupla. dispendiosa, fria e desnecessária. recusa. oportunidade crespa. consentida. invasão das linhas definidoras. saída de emergência. som e água. daquele cinza espumoso. frio e ao alcance da mão. pedregulho que refresca. uma velocidade inconstante. relembranças de uma loucura desejável. de um não que queria ser sim. de um plano futuro. uma reza diária e abençoadamente salvadora. desespero contido. busca acelerada e um espelho que mostra força e sorte. uma brecha inóspita. horizontal e vertical. sem bolinhas. e ele viu uma velocidade desconhecida e antiga. foi por pura fuga e vontade. além da vergonha de dizer o óbvio.

26 de set. de 2010

precisa estar carimbado para garantir a propriedade. sendo assim, deixa de ser comum a todos. compra-se coleira de luxo. e gaiola de cristal. enquanto o mundo pede silêncio.
ela comentou de uns garotos que eram possiveis 'marginais'. em troca, um olhar frio, indiferente. um silêncio quebrado por perguntas inconvenietes. silêncio forçado.
cada um e cada vida.

26 de ago. de 2010

é meia noite no cuco da sala. ele não canta. foi ao dentista. ainda não voltou.
daqui escuto a broca no cinza concreto de seus dentes afiados, opacos e invisíveis. no canto da boca escorre um fio de impossibilidades. [sou sua gostosa]
estou sentada enquanto espero seu som anunciar sua volta.
você não virá.
enquanto isso escuto o silêncio que só amigos verdadeiros sabem compartilhar.
sempre lembrarei de você.
tenho um segredo e estou louca pra te contar. [você entende a linguagem das árvores?]
ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
nessa semana não lembro do que deveria refletir. e é tão empolgante.
e cada vez que vejo alguém trazer nos sapatos essa cor de terra por onde pisei percebo que preciso ir mais longe.
e quase gosto da minha companhia. dessa música doce que não altera meus sentidos.
enquanto sinto cheiro de cigarro pelas células finas e aneladas percebo que sou quase livre. não de mim, mas dos outros. isso me embriaga.
hoje recebi uma delcaração em plena rua. ele me seguiu e falou durante alguns quarteirões coisas que não entendi. e cada vez que me traía, o olhar me averiguava. fiquei na minha. não sou dada a essas coisas. e ele disse que havia beleza. e olhava as luzes e os quadris. e cumprimentava transeuntes meus. e tudo que eu queria era água. a que escorre no corpo, por dentro, por fora. depois choveu. e tudo voltou ao normal. e percebei que ser era o puro estado de estar vivendo.
mas tudo não passou de um 'jeito de corpo'.
ter. depois.

20 de ago. de 2010

íntima vaidade secreta lunar
era uma vez um medo que se desfez
enquanto ainda havia a certeza da beleza que só os bruxos enxergam
as marcas de nascença
os sons vistos sobre a superfíce tremeluzente e luminosa
da água.

enquanto você escorre, escorre...
e essa tranquilidade apassivadora e perene
translúcida que busca

dez
seis
sete

enquanto por dentro ainda se vive

e quando se corre do perigo...
(é perigoso)

amanhã não haverá promessas

corro...

fujo...

dizem que quando a gente está no caminho certo as coisas acontecem...

as coisas que nos agradam(?)

corro...

24 de jul. de 2010

abriu as cortinas. 'preciso de menos luz. o excesso incomoda. mas não quero necessitar ser dilatada'.
na claridade uma idéia luminosa. uma lembrança da descoberta. e transbordava até uma compreensão felina. haveria mesmo essa capacidade de enviar mensagens? ou era tudo pura intuição?
e percebeu que diante de uma verdade só restava esperar. até passar. e esperava. encontro após encontro. até a despedida. e o acolhimento de uma lembrança boa, apenas. então esperava. e sabia que no fim seria como o alívio de se sentir a cabeça que não dói. (ou aquilo que rasga e alivia)
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ainda ontem:
encontraram o pote de ouro do arcoIRIS.
Para MN 'a fama não é sinônimo de fofoca, de escândalos'. OI...! entendi direito?
o que você fará com tudo isso? Eu perguntei primeiro.
sempre que vejo uma letra, palavra, capa, contexto...
algumas coisas a gente não faz nunca. ("aproveitar a vida antes de morrer")
às vezes a vida fica linda. nem chove nem faz sol.
e a gente não faz as sinapses necessárias.
e tudo vai bem, obrigada.
não estou indo para a yoga.
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você não é seguro. e é perigoso. roubou a conexão. o endereço. o login. e pôs tudo em risco. e não te vejo. nem posso discar seu número pra avisar. não é seguro. e eu achava bonito nossa falta de jeito.

12 de jun. de 2010

na sala escura a tentativa de esconder-me de um dragão satélite. abaixei-me. vi-me na caverna. tudo cinza. no fim a certeza de ser eu, apenas eu, não sei porquê, mas sabia que o motivo dele abrir as asas e voar em minha direção era algo a dizer. mas eu não fiz questão de ouvir. um alívio ver o tempo nublado, montanhas altas... e ele longe. enquanto esperava acordar. depois eu soube do perigo anunciado. uma visita mística. pré iluminista. antes que o sol encolha e eu, eu mesma, assim como você, seja como ele, os antigos e parentes irreais petrolíferos.
.
.
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da geometria de god.

9 de mai. de 2010

cabelos curtos e dourados. era suave perceber seu corpo. suas cores.
difícil confessar aquilo que é teu.
e aquela voz, aquele jeito de fazer-se entender. novamente aqueles cabelos, mais compridos, suave perceber seu corpo.
a casa, les chansons d'amour. branco caiado. amarelo rosado. laranja bom dia e pôr-do-sol. azul, quem sabe?
a mulher cantando nua na varanda.
no filme ele sempre falava olhando pras pessoas da platéia enquanto o carro mostrava pelos vidros, de vez em quando.
um som de cinza.
cheiro é coisa de alma. 'desse pé de vento que há em nossa varanda'.

é possível interpretar errado?

decifrando códigos.
arqueologia.
os antigos.
nós, um dia.