7 de mar. de 2026

Ariosvaldo e Lucrecia

 - Olha Lucrecia, um corpo estendido no chão...

- Me poupe, Ariosvaldo, isso deve ser assalto.

- É uma mulher! Deve tá precisando de ajuda Lucrecia...

- Era só o que faltava Ariosvaldo! Nos tempos de hoje, parar pra ajudar gente na estrada...

- Mas Lucrecia podia ser você...

- Tá me agourando Ariosvaldo? Desgraçado!

- Eu não consigo fingir que não vejo Lucrecia, vou lá ajudar...

- Se você parar esse carro Ariosvaldo, eu me mando daqui e te deixo.

- Você e sua consciência que sabem Lucrecia...

Meses depois Ariosvaldo e Aricenia casaram-se. Ele, viúvo. Ela, uma moça simples que lia Clarice

e caíra na estrada torcendo o pé enquanto colhia flores. Lucrecia, coitada, que havia fugido no carro

e deixado Ariosvaldo para trás morreu de acidente e ficou três dias na estrada porque ninguém

parou pra ajudá-la achando que era assalto.

*Eu ia contar que quando Ariosvaldo chegava próximo ao corpo ele via ele mesmo. Sou romântica

demais pra isso. Também pensei no sexto sentido feminino.

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