20 de ago. de 2010
era uma vez um medo que se desfez
enquanto ainda havia a certeza da beleza que só os bruxos enxergam
as marcas de nascença
os sons vistos sobre a superfíce tremeluzente e luminosa
da água.
enquanto você escorre, escorre...
e essa tranquilidade apassivadora e perene
translúcida que busca
dez
seis
sete
enquanto por dentro ainda se vive
e quando se corre do perigo...
(é perigoso)
amanhã não haverá promessas
corro...
fujo...
dizem que quando a gente está no caminho certo as coisas acontecem...
as coisas que nos agradam(?)
corro...
24 de jul. de 2010
na claridade uma idéia luminosa. uma lembrança da descoberta. e transbordava até uma compreensão felina. haveria mesmo essa capacidade de enviar mensagens? ou era tudo pura intuição?
e percebeu que diante de uma verdade só restava esperar. até passar. e esperava. encontro após encontro. até a despedida. e o acolhimento de uma lembrança boa, apenas. então esperava. e sabia que no fim seria como o alívio de se sentir a cabeça que não dói. (ou aquilo que rasga e alivia)
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ainda ontem:
encontraram o pote de ouro do arcoIRIS.
Para MN 'a fama não é sinônimo de fofoca, de escândalos'. OI...! entendi direito?
o que você fará com tudo isso? Eu perguntei primeiro.
sempre que vejo uma letra, palavra, capa, contexto...
algumas coisas a gente não faz nunca. ("aproveitar a vida antes de morrer")
às vezes a vida fica linda. nem chove nem faz sol.
e a gente não faz as sinapses necessárias.
e tudo vai bem, obrigada.
não estou indo para a yoga.
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você não é seguro. e é perigoso. roubou a conexão. o endereço. o login. e pôs tudo em risco. e não te vejo. nem posso discar seu número pra avisar. não é seguro. e eu achava bonito nossa falta de jeito.
12 de jun. de 2010
.
.
.
da geometria de god.
9 de mai. de 2010
difícil confessar aquilo que é teu.
e aquela voz, aquele jeito de fazer-se entender. novamente aqueles cabelos, mais compridos, suave perceber seu corpo.
a casa, les chansons d'amour. branco caiado. amarelo rosado. laranja bom dia e pôr-do-sol. azul, quem sabe?
a mulher cantando nua na varanda.
no filme ele sempre falava olhando pras pessoas da platéia enquanto o carro mostrava pelos vidros, de vez em quando.
um som de cinza.
cheiro é coisa de alma. 'desse pé de vento que há em nossa varanda'.
é possível interpretar errado?
decifrando códigos.
arqueologia.
os antigos.
nós, um dia.
11 de abr. de 2010
8 de abr. de 2010
então... foi perceber que parte de um espremedor de batatas talvez sirva para essas velas que há muito não acendo.
ressignificar isso que
vejo.
vivo.
vives.
vivemos.
ressignificarmo-nos.
isso que sinto e que não vejo como você.
ressignificar esse ar cortado por palavras.
essas imagens que vejo.
isso que sinto apalpando, que minhas mãos sabem, mas minh’alma mostra.
ressignificados, pois as imagens não correspondem ao real. não ao real óbvio. e é esse outro que me interessa.
uma serpente me picou no final da manhã. fazia calor no asfalto. tive vontade de andar com um ovo cru na bolsa, só pra testar. tenho pegadores. em todos os cantos. nos menos imagináveis. alguns são ressignificados.
9 de mar. de 2010
20 de fev. de 2010
os cabelos longos e esvoaçantes de vento e mar.
o desejo é o prazer.
as tradições justificam a intromissão na 'alma' alheia.
finalmente chegou o dia dela. azul.
e a descoberta causa dor.
ou refugiava-se no porão de si. ou, ainda, quem sabe, neles. fingir que não se vê o obvio. regras.
o dia da liberdade: não se justifica, apenas se vive.
'o exercício da liberdade', medo, loucura.
rubro.
a farsa axiomática.
enquanto girava o dedo pressionando de vez em quando, lento.
a mão e um dedo. movimentos circulares.
para e recorre.
ininterruptamente.
tanto melhor sem tirar o dedo, apenas movê-lo verticalmente.
clicar.
rosas lilases janela quarto de hotel tinta, narciso, margaridas. languidamente.
"mas eu te juro
são flores de um longo inverno"
16 de fev. de 2010
enquanto você caminhava pelo deserto de atacama.
e todas aquelas idéias que viraram pó...
e de tão um passaram a sentir uma única dor e alegria.
e depois?
haverá a quebra e despedida da casca. um início comum a todos. é quando começa-se a compreender.
o que bastava? por que ninguém segura a linha e escorrega os dedos?
não dói. apenas corre-se perigo. mas não há riscos. apenas alguns arranhões. um pouco de sangue que escorre e lágrimas.
e é tão forte.
e essa pressa.
e esse som.
"O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa
A voz vai e vem
Você ta aí?
Você ta aí?
Ei, voce est aí?
Vontade de abraçar o infinito"
15 de fev. de 2010
luzes, terreno baldio, buzinas. calor, odor, medo. ressaca. apartamento. aluguel
amigos. três. escala de limpeza.
paixão. um que amava outro que amava muito mais. amado que era.
brigas, mágoas, palavrões. despeita. solidão. amor. paixão.
porque não era possível conviver. sobrevivia.
não sobreviveu ao ter o namorado roubado por aquela amizade. vingança. de um por um. pensou em dar descarga nos três. mas como manter os corpos?
passou a sujar os dias que não eram seus. todos reclamavam. 'mas ele também não limpava? então.' e de mágoa, obsessão.
sonhos suados. pensamento. corpo, mente. ele, a cada três dias. os piores para os outros. loucura que não tinha a ver com amor. doença. maldizer.
fracasso.
cidadezinha pequena. pássaros matinais. sol secando a grama. pés com meias. branco. tudo branco.
8 de fev. de 2010
28 de jan. de 2010
[enquanto lia... chorava.]
era uma brincadeira tão deles, aquela de brincar com as palavras.
uma brincadeira infantil mas perigosa. mas brincavam.
e chorava por vê-lo brincar de palavras com ela. e chorava porque via-os brincar de um jeito que era pra ser só seu e dele.
porque ele gostava de brincar disso.
mas sabia brincar, mesmo sem sorrir. como quando se sente medo de ser descoberto quando se esconde entre as roupas antigas. e ele brincava escondido. e se mostrava.
e era tão encantador e insuportável vê-los brincando. porque era belo. e ferozmente feio.
e era tão antigo. e tão presente.
E queria ser filha do tempo. E crescer nele. Esquecer.
Mas era tarde. E cedo.
E um fim.
Porque, por hora, queria vê-lo chorar tudo que guardou. Queria que ele afogasse no frio que arrefecia as últimas palavras. As que ele traiu. Roubou-lhe. E ganhou.
E enquanto não crescesse não saberia falar dessas brincadeiras que machucam. Como quando se sente prazer em brincar com a dor. A dos outros. E não se respeita as horas. Passaram do horário. Ficariam de castigo. E chorariam mudos apenas sentindo as feridas arderem tocadas pelo sangue e água. Arranhadas pelas pedras. Enquanto deitavam os corpos nus em nuvens cor de seda.
27 de jan. de 2010
engraçado, eu sempre soube e nem sabia.
21 de jan. de 2010
ç
a
m
u
f
aquele sentimento virou
o futuro virou
o passado virou
o presente não era.
havia ouro colorido.
pó soprado.
nuvens elétricas.
e terra.
vertigem.
elementos naturais desintegradores.
explosão...
fim para o novo.
descascou batatas por pura poesia e sentimento.
do que retera.
o que guardava.
um relicário.
gavetas.
20 de jan. de 2010
haverá um lapso no tempo.
chegou ao supermercado um pouco desbaratinada. estava cheio. sentia fome. abriu um pacote de salgadinho, uma garrafa de água com gás. chicletes.
e num espalhar branco pelo estômago lembrou da panela com agua fervendo na sua casa.
fechara a porta. fechara? sim!
precisaria voltar correndo. mas não pagara ainda e havia aquelas 12345 pessoas na sua frente. ele era alto, bonito. daqueles que você só de olhar pensa. deu-lhe uma nota de vinte com o seu telefone escrito. disse que se ele ligasse ela poderia explicar tudo. ele recebeu. e continuou na fila.
enquanto voltava, aflita, pareceu dar de cara com um sólido invísivel. que estúpida! enfim.
sofria antecipadamente com as consequências daquilo que não deveria ter feito. fez. fazia.
vivia dizendo não ao que queria que assim o fosse. que tonta! o fogão estava desligado. o telefone tocou. era o troco. poderiam tomar uns chopps com ele. e assim o fizeram.
e aos poucos foram surgindo as mentiras. o acre.
sucessivamente.
moscas.
19 de jan. de 2010
pensou um dia inteiro. quando se deu conta.
arrancava as palavras como quem 'bemequera'.
quando o que queria era senti-las como quem desliza num fio e sabe ser 'beijaflorado' no dia.
e elas saiam quadradas, dolorosas.
e porque não reconhecia o mundo, negando-o, não o compreendia.
porque não olhava...
e entregou um brinquedo ao gato. e sentia aquilo que escorre pelo corpo e não se sabe se por dentro ou fora.
e tudo que queria era saber verdaluzar a luz.
e havia erva daninhas...
[e o necessário equilíbrio]
dos fragmentos.
não aconteceu.
catarse.
18 de jan. de 2010
eu contei pra ele coisas de uma quinta-feira.
e insinuei segredos da segunda.
a gente lembrou.
fp era sábio. entendia o tempo. o que se vê. e distraia-se dele naturalmente.
e se tudo acabar? e se for mesmo assim? o agora é ilusão... passagem. o que significa? ou tudo significa, apenas nada.
[e de que adianta se importar?]
era uma vez uma mulher. e ela tinha sentimentos. mas escondia. e fingiu toda uma vida. e não havia pressa nela.
numa noite sentiu medo. e imaginou-se numa floresta. o medo se foi. ficou um rastro de loucura. como carrinhos vermelhos passeando por estradas imaginárias. riscadas por um inventor.
sentia uma fome vermelha e fresca.
e precisava encher-se do inexistente. e de si.
de vez em quando lembrava como é difícil perdoar. esquecer. sobreviver. comer.
17 de jan. de 2010
antes do vazio.
e ficou tão deslumbrada com o presente.
e muito tempo depois lembrava dele. e distraiu-se.
[inspirar...]
eles estavam ali e de repente, não mais.
e o espetáculo enternecia os que continuavam.
porque o mundo não parava de girar.
aqui.
ali.
10 de jan. de 2010
desculpa-me, abri suas gavetas. Vi as cartas, todas as dedicatórias.
entre curiosa e culpada te peço perdão.
percebi que o que mostravas era tudo 'que querias que eu visse.
encantei-me, entretanto. emocionada, quase derramei lágrimas.
por fim vi teus olhos. eles me acusavam.
então fiz o meu papel e fingi que não era comigo.
no domingo, perambulei, arrastei-me.
fiz a lista.
escutei ac acalentando dores de cotovelo debruçada e aérea. pela janela vi que você não passava.
e lembrei que sabíamos sorrir.
pela janela...
enquanto você acenava pra mim...
e enquanto lembrava fui segurando com carinho e guardando tudo numa caixinha.
e nunca entenderia a razão pela qual não estudara física quântica.
e percebia o quanto já sabia.
e havia aquele sentimento de amor.
e era um tanto quanto paranormal.
bastava estar vivo.
e sentiu-se em paz ao ler que o santo admira muito mais o cordão que une as pérolas.
...
4 de out. de 2009
2 de out. de 2009
atrás da cachoeira respira-se. o chão é pedregoso. sente-se frio.
as letras desmancham-se na umidade antiga de uma verdade mística, cíclica e apavorante.
brincadeira. riso. cor.
sorrateira dor.
secreta mentira.
novamente o frio.
fim.
[eternidade]
11 de jul. de 2009
27 de mar. de 2009
22 de out. de 2008
17 de out. de 2008
arrependeu-se do que dera. não queria de volta. eram coisas estragadas. depois de secar as lágrimas encheu-se de coragem e percebeu que não sendo árvore não haveria fruto ou flor, não era a sua natureza essa. Mas havia os sentimentos. havia o pedido. havia a vergonha. e por fim a certeza. recolheu o que precisava e não precisou falar. a vida mostra. esperou.
um dia encontraram folhas secas pelo chão... cada tempo, sua estação.
16 de out. de 2008
10 de out. de 2008
2 de out. de 2008
30 de set. de 2008
18 de set. de 2008
12 de ago. de 2008
11 de ago. de 2008
27 de jul. de 2008
20 de jul. de 2008
rosas pelo caminho. as de se roubar. solitárias. belas. medíocres de tanto perfume.
[corpo sentindo lesmas desenhando caminhos viscosos.
porque até na mostruosidade do inferno que não conheces és delicada e bela como a pétala fenecida.
e de um gole sorves a pastosidade escura da vida.
retalhos do que não se confessa. porque a repulsa e atração equilibram-se.
lágrimas casmurrianas, as secas. (confissão. porque algumas pessoas SÃO assim. é da natureza própria. os olhos não se arrancam).
Dionísio me fez errar o caminho. com esse gosto de ressaca.
minha ingenuidade. ainda me choca.
14 de jul. de 2008
então ficaremos feito pipas no ar. isso de ser moderno. ponta cabeça. sei plantar bananeira. já esquiei. fiz rapel. mergulho. dancei tango com um argentino. passei 1 semana sem banho em Paris. morei na selva colombiana. escutei o relógio de Praga. senti tremores na Islândia. beijei a boca de um soldado inglês na troca da guarda. e era outono no Canadá. usei cores no México. fui amante de um deus Inca. dancei na Rússia. usei salto em NY. fui gueixa. olhos pintados. rosto guardado. ilhas. e não há nada de novo no reino da Dinamarca. 'tô de malas prontas pra seguir viagem'. viagem de um só.
segundo a velocidade da luz, nós éramos. agora sopro e de minha boca saem borboletas que passeiam em seus cílios e pousam em suas orelhas. cócegas em sua boca. e não é pra você que escrevo. apenas conto que cada letra é uma lágrima implorando misericórdia pela mediocridade pintada.
papel em branco.
17 de jun. de 2008
12 de jun. de 2008
6 de mai. de 2008
2 de mai. de 2008
28 de abr. de 2008
25 de abr. de 2008
23 de abr. de 2008
elas não mudam de cor e causam efeito universal.
não é que queira esquecer, mas elas fazem lembrar.
e as vezes a letra não alcança a palavra.
e ouvindo o cântico negro do poeta era (im)possível ser (in)coerente, de um jeito ou de outro.
21 de abr. de 2008
350 metros de queda. os olhos em tormenta prussiana. a fera encontra a vida. o tempo devora os dois e escorre entre as mãos.
350 metros de vazio. os olhos afogam-se num medo azul. as mãos cobrem eles.
10 de abr. de 2008
7 de abr. de 2008
por dentro do silêncio.
porque à tona do sopro sou toda ouvidos.
sopra-me e eu buscarei essa sua sensação de silêncio marítimo pulsando e morrendo na falta.
um relicário sempre fechado, jogado fora e escondendo impossibilidades.
porque somos uma espiral desfazendo-se.
3 de abr. de 2008
.uma menina azul em disparada numa bicicleta que mistura tudo numa coisa só quando passa azulejando o dia.
.um poeta ao pôr do sol cinzelando palavras púrpuras alaranjadas.
.um gato preto transmudando e endoidecendo transeuntes sensíveis.
.janelas, todas elas.
*era uma vez quando você fechou os olhos e sentiu uma cor amarga que escorria no sentir. então mergulhou profundo e emergiu lentamente lavando e levando sentimentos. [...]
17 de mar. de 2008
13 de mar. de 2008
20 de fev. de 2008
arrebatamento circular obsceno e luminoso.
análogo e díspar, quase cílios.
desvairado e abstruso, assolado.
espectro clandestino.
[ponderando uma espiral]
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pisar unhas inflamadas
arranhar paredes com as unhas
arrancar fios de pentelho
puxar orelhas
avermelhar faces com as mãos
socar estômagos
buzinar silêncios
morder lábios
tocar olhos abertos
...
desamar e
sorrir.
(lé
cré
dó
ré
fá)
19 de fev. de 2008
18 de fev. de 2008
14 de fev. de 2008
'amanhã não vou te procurar e você vai me achar melhor.'
(desamarra o meu pé da mesa. tira a mordaça da minha boca. desata os nós em minhas mãos. abre a portinha.)
não mais seguirei por ali.
[no dia em que as coisas passadas não importarem mais, não vou nem perceber.]
por que não sou silenciosa como uma japonesa?
12 de fev. de 2008
cochilo até o despertador gritar 6 e 13.
ontem eu vi quando o mundo ficou 13:13.
não há certeza possível.
...mas ainda recupero o fôlego das lágrimas agora evaporadas. proteus. como quem vê o mundo ao tirar-se as cascas. por baixo da aspereza tudo é suave... 'lisuras'.
a coisa mais branca que posso imaginar é o que há por baixo da casca da macaxeira mesmo. penso no que não devia.
às vezes sou pornográfica, como 'o anjo'.
sou. és. somos.
pra sempre...
23 de jan. de 2008
encanto
de canto
num recanto
equanto o
sapo coacha.
P.S. eu tenho uma amiga linda. do tipo que te dá a lua numa noite luminescente. eu até acho que é amor de alma. "Como é que a alma entra nessa história? Afinal o amor é tão carnal. Eu bem que tento, tento entender mas a minha alma não quer nem saber só quer entrar em você. Como tantas vezes já me viu fazer... E eu digo calma alma minha. Calminha! Você tem muito que aprender..."
11 de jan. de 2008
6 de jan. de 2008
4 de jan. de 2008
lembrou que precisava ler 'o processo'. coisas tão reais que... coisas imaginárias.
o óbvio descoberto. mas ninguém pode ver o paralelo do outro. é-se.
e resolveu contar ao mundo o que via. e mais, o que pensava do visto. foi um choque! tudo soou tão medíocre.
às vezes a vida engole a gente com uma boca imensa. tão grande que a gente encontra aconchego primeiro numa maciez de lábios carnudos e suaves róseos avermelhados úmidos, depois esquece-se. e acorda-se fora da vida. e o grito não alivia, tão pouco consegue-se chorar. dobra-se e volta-se pra o ventre da terra. e ela nos pare. nascemos relva. e brilhamos. e ficamos soltos no mundo. e somos. [e nunca mais calamos. porque até esse silêncio preenche os sentidos.]
2 de jan. de 2008
abriu os olhos e se assustou com isso de ser.
sentiu o maior medo do mundo.
depois tudo ficou com cara de revelação.
e nunca mais pode ser da mesma maneira.
já era tempo. tempo, tempo, tempo, tempo.
a morte é o tempo. a morte mata o tempo. o tempo engole a morte.
-muito prazer. My name is Melissa. e penso, às vezes, em passear nos jardins da tamarineira.
e nunca me sinto abandonada. e nunca me sinto traída. mas 'sou áspera'. porque ainda não sei. 'isso é a minha maior liberdade'.
26 de dez. de 2007
9 de dez. de 2007
[uma vida inteira que te trouxe até esse momento em que o fio desprende-se e eu o guardo]
17 de nov. de 2007
15 de nov. de 2007
8 de nov. de 2007
6 de nov. de 2007
é uma ela que se pergunta se excesso de azul do céu faz mal pra alma.
era... de incertezas certas, mergulhos internos, vôos que explodiam em gritos de...
é... uma agora que não sente como antes (S-I-M-P-L-E-S-M-E-N-T-E)
porque o que via era, agora vê outras coisas...
[amiga, pra isso existe 'o medo da eternidade', porque sentir é procurar... sabia? (e vice-versa)]
(ainda bem que você existe)
1 de nov. de 2007
31 de out. de 2007
30 de out. de 2007
26 de out. de 2007
24 de out. de 2007
23 de out. de 2007
Para a tristeza
Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta, mas quero deixar de ver você por uns tempos. Vai ser difícil para mim, pois me acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos juntas. Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos seafastaram. Só que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me atrapalha.Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa.Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Você é péssima conselheira para suas parceiras - que o digam a Marilyn e a Sylvia*. Agora, chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O único elogio que eu lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de olheiras.Veja bem: não estou dizendo que quero acabar com você para sempre. Sei que estou presa a você, de uma forma ou de outra, pelo resto da vida. E podemos muito bem ter os nossos momentinhos juntas, aos domingos ou em longas tardes de poesia. Só não posso é continuar à mercê dos seus péssimos humores, dia após dia, sabendo que você nunca irá mudar. Chega de fornecer moradia à sua pesada existência.Desde pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você. Não vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui.Por favor, não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: "Não te quero mal, apenas não te quero mais".
Bye-bye,
Fernanda
*A autora refere-se à morte da atriz Marilyn Monroe e da poetisa Sylvia Plath.
Fernanda Young é escritora, roteirista e apresentadora de TV
"
21 de out. de 2007
[apesar de, apesar de.]
ouvi a história de uma senhora que vivia sozinha numa casa e um dia comprou uma flor que colocou num quarto embaixo de um ventilador de teto. foi amor à primeira vista. ele girou pela florzinha. mas ela nem deu atenção a ele, bonita como era quis nem saber. mas ele fez de tudo, girou em todas as velocidades, inundou todo o espaço com o seu toque. a flor depois de um tempo não pode se fazer mais de indiferente, começou a retribuir. e foi só troca... ela cada dia fazia nascer uma flor mais bonita pra ele. mas entre eles havia uma impossibilidade. se esforçavam muito mas não conseguiam se tocar. mas isso era um detalhe (dos grandes). com o passar do tempo a senhora esqueceu a florzinha lá no quarto, nem tão pouco ligava o ventilador... nas hélices havia uma camada grossa de poeira. a flor estava quase morrendo na terra seca. mas quem ama, quem vive a magia sabe que o milagre salva. com todas as suas forças, o ventilador girou como nunca havia feito, era quase impossível mas ele girou com tanta força que a casa interia tremeu, o teto cedeu, ele desprendeu-se do teto fazendo um buraco imenso por onde a chuva entrou e saciou de vida a florzinha, por um único instante eles se tocaram. o ventilador girou até o céu. a florzinha floresceu hélices maravilhosas que desprenderam-na do chão. ela estava livre. as hélices-flor eram lindas. "Nosso amor... Já é grande o bastante Pra deixar a gente viver".
18 de out. de 2007
13 de out. de 2007
11 de out. de 2007
- ...
- boooooom dia!!!!!!!!
- bom dia...
- vou aumentar o som tá?
- faça o que...
- ADORO ESSA MÚSICA!!!!!!
- percebi...
- adoro essas cores, essa luz, esse dia...
- você é meio doida!
- meu filho, eu amaria até o cinza do dia e o meu cabelo encolhido se hoje tivesse chovendo.
- quer saber? vou com você!
- quer mais? você jamais viverá isso novamente. esse momento... que foi.
- já sei! o café hoje é na padaria.
- ...
- ...
- você lembra se eu desliguei o som?
- lembro sim. eu desliguei. você é meio aérea em dias como hoje, por isso não te deixarei sozinha um instantinho que seja.
- 'enquanto houver você de um lado, do outro eu consigo me orientar'
- você viu? o poeta entregou chocolates finos a mulher que vive na praça.
- as sombrinhas dela têm cores lindas. adoro a cortina do banheiro também.
- acho que hoje conseguiríamos voar.
- lembrei do ventilador e da flor... foi lindo ver que em algum lugar há pessoas como nós. lembra do ventilador e da flor apaixonados?
- eu quebraria o teto pra que a chuva chegasse até você...
- olha...! viu?
- é perfeito...
-.. nosso
-.. e único...
...........................................................................................................................................................
P.S. 'porque hoje é quinta' e que o sábado seja do nosso 'poetinha'...
9 de out. de 2007
5 de out. de 2007
se não está escrito só resta o tempo mesmo.
['a resposta está na pergunta?']
o tempo feito de filosofia.
Levantou-se cedo, tomou um banho gelado, vestiu uma roupa leve, bebeu um café quente e forte, passou filtro solar fator 30, foi caminhando pro trabalho. o sol na pele, a poeira nos pés. viu a marca do tempo numa pessoa. miséria e cegueira. e o deus disse: me escolha.
finalmente vomitou.
3 de out. de 2007
certo dia viu-se diante de três caminhos, escolheu o do meio e passeava nele olhando para os lados e vendo tudo que havia perdido. Assim nem percebeu o que havia na sua frente e nem o que deixara para trás. quando finalmente o caminho acabou estava de mãos vazias, com fome, sede e frio. resolveu voltar mas as coisas já não estavam mais lá e nem dos lados. então usou suas asas.
28 de set. de 2007
26 de set. de 2007
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Era uma vez uma menina que foi enterrada viva. Em cima do seu túmulo nasceu capim de cabelos. Em noites de lua cheia eles prateavam e podia-se ouvir uma voz triste, abafada e suave que não soava como palavras encobertas de possibilidades e desfazia-se nós apenas sentidos, como um trauma.
25 de set. de 2007
*coisas a fazer:
vomitar tudo;
gritar até perder a voz;
não escutar;
(chorar até secar);
[e não esquecer das luvas de boxe];
recompor-se;
... que fica tudo bem.
24 de set. de 2007
21 de set. de 2007
só depois de ter bebido o doce amargo pensou na possibilidade de não prová-lo novamente. só depois soube. quem sabe um dia apareceria alguém com outro cálice daqueles. vai saber. mas isso foi depois de muito tempo.
aquela criatura sempre estava lá. de vez em quando e quase sempre em silêncio que era sua forma de falar. numa tarde laranja-quente de uma brisa cinza na pele ela provou. junto com o que não parecia agradável saiu tudo que havia por dentro d'uma só vez. então percebeu que o vazio é o que fortalece e enfraquece uma criatura, essa hora de força nehuma e de todo o espaço necessário pra o que escolher.
nascia-se sempre. cada vez que morria.
19 de set. de 2007
sente?
percebe?
só morrendo mesmo pra saber. "os mortos sabem mais que os vivos. sabem o gosto que a morte tem".
serve?
a flor de lótus é quem dá sentido. Maya.]
era uma vez uma vontade de sair e morrer. então uniu uns seres e fez-se. gastou a matéria e percebeu que o único lugar que existia era de onde tinha vindo. voltou. mas fez-se sempre.
'é uma alegria tamanha. como aquela em que a moça mergulhou as 6:00 h no mar gelado. isso que era só dela. o que é que você tem e ninguém rouba?'
as cores que tocaram a pele. enquanto ela caminhava distanciava-se do que queria ver. e quando se voltava via e sorria. ainda bem que tinha alguém pra segurá-la quando tropeçou. e tudo, finalmente, reiniciou.
17 de set. de 2007
10 de set. de 2007
2 de set. de 2007
[sem fim...]
17 de ago. de 2007
13 de ago. de 2007
7 de ago. de 2007
30 de jul. de 2007
17 de jul. de 2007
11 de jul. de 2007
mas existe uma sapatilha preta de verniz. e uma moça usando tafetá, organza, tule e fitas.
há uma raiz sobrexposta num terreno inabitado. ninguém vê a lama ou sente o cheiro q dela se desprende. tão pouco a cor.
a moça dança balé. o moço toca piano. senhor e senhora se respeitam pelo ódio que restou.
e algumas coisas são. sempre. outras não. nunca.
'e quase sempre nunca é o bastante.'
(nem sei mais se) gostaria de ouvir um axioma.
4 de jun. de 2007
P.S. farei um buquê pra você. enrolarei com folhas de poesia. e nas flores misturarei as letras do que sinto só pra você decifrar.