20 de ago. de 2010

íntima vaidade secreta lunar
era uma vez um medo que se desfez
enquanto ainda havia a certeza da beleza que só os bruxos enxergam
as marcas de nascença
os sons vistos sobre a superfíce tremeluzente e luminosa
da água.

enquanto você escorre, escorre...
e essa tranquilidade apassivadora e perene
translúcida que busca

dez
seis
sete

enquanto por dentro ainda se vive

e quando se corre do perigo...
(é perigoso)

amanhã não haverá promessas

corro...

fujo...

dizem que quando a gente está no caminho certo as coisas acontecem...

as coisas que nos agradam(?)

corro...

24 de jul. de 2010

abriu as cortinas. 'preciso de menos luz. o excesso incomoda. mas não quero necessitar ser dilatada'.
na claridade uma idéia luminosa. uma lembrança da descoberta. e transbordava até uma compreensão felina. haveria mesmo essa capacidade de enviar mensagens? ou era tudo pura intuição?
e percebeu que diante de uma verdade só restava esperar. até passar. e esperava. encontro após encontro. até a despedida. e o acolhimento de uma lembrança boa, apenas. então esperava. e sabia que no fim seria como o alívio de se sentir a cabeça que não dói. (ou aquilo que rasga e alivia)
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ainda ontem:
encontraram o pote de ouro do arcoIRIS.
Para MN 'a fama não é sinônimo de fofoca, de escândalos'. OI...! entendi direito?
o que você fará com tudo isso? Eu perguntei primeiro.
sempre que vejo uma letra, palavra, capa, contexto...
algumas coisas a gente não faz nunca. ("aproveitar a vida antes de morrer")
às vezes a vida fica linda. nem chove nem faz sol.
e a gente não faz as sinapses necessárias.
e tudo vai bem, obrigada.
não estou indo para a yoga.
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você não é seguro. e é perigoso. roubou a conexão. o endereço. o login. e pôs tudo em risco. e não te vejo. nem posso discar seu número pra avisar. não é seguro. e eu achava bonito nossa falta de jeito.

12 de jun. de 2010

na sala escura a tentativa de esconder-me de um dragão satélite. abaixei-me. vi-me na caverna. tudo cinza. no fim a certeza de ser eu, apenas eu, não sei porquê, mas sabia que o motivo dele abrir as asas e voar em minha direção era algo a dizer. mas eu não fiz questão de ouvir. um alívio ver o tempo nublado, montanhas altas... e ele longe. enquanto esperava acordar. depois eu soube do perigo anunciado. uma visita mística. pré iluminista. antes que o sol encolha e eu, eu mesma, assim como você, seja como ele, os antigos e parentes irreais petrolíferos.
.
.
.
da geometria de god.

9 de mai. de 2010

cabelos curtos e dourados. era suave perceber seu corpo. suas cores.
difícil confessar aquilo que é teu.
e aquela voz, aquele jeito de fazer-se entender. novamente aqueles cabelos, mais compridos, suave perceber seu corpo.
a casa, les chansons d'amour. branco caiado. amarelo rosado. laranja bom dia e pôr-do-sol. azul, quem sabe?
a mulher cantando nua na varanda.
no filme ele sempre falava olhando pras pessoas da platéia enquanto o carro mostrava pelos vidros, de vez em quando.
um som de cinza.
cheiro é coisa de alma. 'desse pé de vento que há em nossa varanda'.

é possível interpretar errado?

decifrando códigos.
arqueologia.
os antigos.
nós, um dia.

11 de abr. de 2010

O filhinho puxando a aba de sua saia, uma água que fervia no fogão, gavetas abertas, lençóis emaranhados em objetos desordenados. Um teclado em seu colo, um resto de sementes com leite esquecido embaixo de uma almofada surrada. Uma música ressignificando tudo ao seu redor. Um lugar, um cantinho.o inferno é os outros, deve ser por isso que saber que a sua consciência te basta e não dá importância alguma na dos outros te liberte. É solitário. asasliberdade te dá . Voar é mover-se, sentir brisas e brumas. E sair da mente e do corpo não é morrer. E você fica feliz e se torna uma pessoa boa. Pacificadora. Amém. Enquanto o filhinho descobre aquele resto de leite com sementes. Águia empurrando filhote.

8 de abr. de 2010

após uma noite insone e a lembrança do sonho que não aconteceu:

então... foi perceber que parte de um espremedor de batatas talvez sirva para essas velas que há muito não acendo.

ressignificar isso que
vejo.
vivo.
vives.
vivemos.

ressignificarmo-nos.

isso que sinto e que não vejo como você.
ressignificar esse ar cortado por palavras.
essas imagens que vejo.

isso que sinto apalpando, que minhas mãos sabem, mas minh’alma mostra.
ressignificados, pois as imagens não correspondem ao real. não ao real óbvio. e é esse outro que me interessa.

uma serpente me picou no final da manhã. fazia calor no asfalto. tive vontade de andar com um ovo cru na bolsa, só pra testar. tenho pegadores. em todos os cantos. nos menos imagináveis. alguns são ressignificados.

9 de mar. de 2010

bonitinha. contida. voz irritantemente contida. limpa. boa de corpo. agressivamente silenciosa. quieta. mandona. e um dia, como a todas, o limite chegou. numas, uma dor de cabeça insuportável. nela, aquele silêncio falante, sem resposta. o dia chega pra todas. principalmente para as intocáveis. são 'as voltas que o mundo dá'. e agora só me resta chorar. por pura compaixão. sua, minha. desse nada oco e sem fundo que é viver.

20 de fev. de 2010

demorou até a descoberta.
os cabelos longos e esvoaçantes de vento e mar.
o desejo é o prazer.
as tradições justificam a intromissão na 'alma' alheia.
finalmente chegou o dia dela. azul.
e a descoberta causa dor.
ou refugiava-se no porão de si. ou, ainda, quem sabe, neles. fingir que não se vê o obvio. regras.
o dia da liberdade: não se justifica, apenas se vive.
'o exercício da liberdade', medo, loucura.
rubro.



a farsa axiomática.

enquanto girava o dedo pressionando de vez em quando, lento.
a mão e um dedo. movimentos circulares.
para e recorre.
ininterruptamente.
tanto melhor sem tirar o dedo, apenas movê-lo verticalmente.
clicar.

rosas lilases janela quarto de hotel tinta, narciso, margaridas. languidamente.

"mas eu te juro
são flores de um longo inverno"

16 de fev. de 2010

aquela gravidade impedida pelas nuvens.
enquanto você caminhava pelo deserto de atacama.
e todas aquelas idéias que viraram pó...
e de tão um passaram a sentir uma única dor e alegria.
e depois?
haverá a quebra e despedida da casca. um início comum a todos. é quando começa-se a compreender.
o que bastava? por que ninguém segura a linha e escorrega os dedos?
não dói. apenas corre-se perigo. mas não há riscos. apenas alguns arranhões. um pouco de sangue que escorre e lágrimas.
e é tão forte.
e essa pressa.
e esse som.
"O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa
A voz vai e vem
Você ta aí?
Você ta aí?
Ei, voce est aí?
Vontade de abraçar o infinito"

15 de fev. de 2010

cidadezinha pequena. 100.000 habitantes. comércio tradicional. feira. cachoeira. bica. banho de lama. caça ao tesouro. trilhos. espada. descobertas. sensações.
luzes, terreno baldio, buzinas. calor, odor, medo. ressaca. apartamento. aluguel
amigos. três. escala de limpeza.
paixão. um que amava outro que amava muito mais. amado que era.
brigas, mágoas, palavrões. despeita. solidão. amor. paixão.
porque não era possível conviver. sobrevivia.
não sobreviveu ao ter o namorado roubado por aquela amizade. vingança. de um por um. pensou em dar descarga nos três. mas como manter os corpos?
passou a sujar os dias que não eram seus. todos reclamavam. 'mas ele também não limpava? então.' e de mágoa, obsessão.
sonhos suados. pensamento. corpo, mente. ele, a cada três dias. os piores para os outros. loucura que não tinha a ver com amor. doença. maldizer.
fracasso.
cidadezinha pequena. pássaros matinais. sol secando a grama. pés com meias. branco. tudo branco.

8 de fev. de 2010

ao redor havia lama. mas dentro, circular. portas e vitrais. uma leve vertigem.
cadeira. homem. velho.
ingenuidade.
antes, agora.
mergulho no desconhecido. [porque é preciso emergir. necessário]
turvação aquosa. engano. mas isso é futuro [retalhos do que foi].
Impossibilidade.
Queda.
Circularidade.

28 de jan. de 2010

[enquanto lia... chorava.]
era uma brincadeira tão deles, aquela de brincar com as palavras.
uma brincadeira infantil mas perigosa. mas brincavam.
e chorava por vê-lo brincar de palavras com ela. e chorava porque via-os brincar de um jeito que era pra ser só seu e dele.
porque ele gostava de brincar disso.
mas sabia brincar, mesmo sem sorrir. como quando se sente medo de ser descoberto quando se esconde entre as roupas antigas. e ele brincava escondido. e se mostrava.
e era tão encantador e insuportável vê-los brincando. porque era belo. e ferozmente feio.
e era tão antigo. e tão presente.

E queria ser filha do tempo. E crescer nele. Esquecer.

Mas era tarde. E cedo.

E um fim.

Porque, por hora, queria vê-lo chorar tudo que guardou. Queria que ele afogasse no frio que arrefecia as últimas palavras. As que ele traiu. Roubou-lhe. E ganhou.

E enquanto não crescesse não saberia falar dessas brincadeiras que machucam. Como quando se sente prazer em brincar com a dor. A dos outros. E não se respeita as horas. Passaram do horário. Ficariam de castigo. E chorariam mudos apenas sentindo as feridas arderem tocadas pelo sangue e água. Arranhadas pelas pedras. Enquanto deitavam os corpos nus em nuvens cor de seda.

27 de jan. de 2010

mostrou-me o coração e disse que não era seu. mas que eu guardasse. era presente. não pra mim. para uma amiga. mas não era dele, apenas guardava. acreditei. esqueci. e sem querer ele derramou-se em mim. reconheci o gosto, o cheiro, a cor. era seu. era isso que o meu dizia. sentia. sabia.

engraçado, eu sempre soube e nem sabia.

21 de jan. de 2010

a
ç
a
m
u
f

aquele sentimento virou
o futuro virou
o passado virou
o presente não era.

havia ouro colorido.
pó soprado.
nuvens elétricas.

e terra.
vertigem.
elementos naturais desintegradores.
explosão...
fim para o novo.

descascou batatas por pura poesia e sentimento.
do que retera.
o que guardava.
um relicário.

gavetas.

20 de jan. de 2010

[estou cheia daquilo que não posso te mostrar. por mais que queira.]
haverá um lapso no tempo.
chegou ao supermercado um pouco desbaratinada. estava cheio. sentia fome. abriu um pacote de salgadinho, uma garrafa de água com gás. chicletes.
e num espalhar branco pelo estômago lembrou da panela com agua fervendo na sua casa.
fechara a porta. fechara? sim!
precisaria voltar correndo. mas não pagara ainda e havia aquelas 12345 pessoas na sua frente. ele era alto, bonito. daqueles que você só de olhar pensa. deu-lhe uma nota de vinte com o seu telefone escrito. disse que se ele ligasse ela poderia explicar tudo. ele recebeu. e continuou na fila.
enquanto voltava, aflita, pareceu dar de cara com um sólido invísivel. que estúpida! enfim.
sofria antecipadamente com as consequências daquilo que não deveria ter feito. fez. fazia.
vivia dizendo não ao que queria que assim o fosse. que tonta! o fogão estava desligado. o telefone tocou. era o troco. poderiam tomar uns chopps com ele. e assim o fizeram.
e aos poucos foram surgindo as mentiras. o acre.
sucessivamente.
moscas.

19 de jan. de 2010

alimentou a alma. antiga.
pensou um dia inteiro. quando se deu conta.
arrancava as palavras como quem 'bemequera'.
quando o que queria era senti-las como quem desliza num fio e sabe ser 'beijaflorado' no dia.
e elas saiam quadradas, dolorosas.
e porque não reconhecia o mundo, negando-o, não o compreendia.
porque não olhava...
e entregou um brinquedo ao gato. e sentia aquilo que escorre pelo corpo e não se sabe se por dentro ou fora.
e tudo que queria era saber verdaluzar a luz.

e havia erva daninhas...
[e o necessário equilíbrio]
dos fragmentos.
não aconteceu.
catarse.

18 de jan. de 2010

ele me disse que o domingo era bom. feito criança. seria.
eu contei pra ele coisas de uma quinta-feira.
e insinuei segredos da segunda.

a gente lembrou.

fp era sábio. entendia o tempo. o que se vê. e distraia-se dele naturalmente.

e se tudo acabar? e se for mesmo assim? o agora é ilusão... passagem. o que significa? ou tudo significa, apenas nada.
[e de que adianta se importar?]

era uma vez uma mulher. e ela tinha sentimentos. mas escondia. e fingiu toda uma vida. e não havia pressa nela.
numa noite sentiu medo. e imaginou-se numa floresta. o medo se foi. ficou um rastro de loucura. como carrinhos vermelhos passeando por estradas imaginárias. riscadas por um inventor.
sentia uma fome vermelha e fresca.
e precisava encher-se do inexistente. e de si.
de vez em quando lembrava como é difícil perdoar. esquecer. sobreviver. comer.

17 de jan. de 2010

e nesse dia não precisou implorar aos céus. sua existência preencheu um dia inteiro.
antes do vazio.
e ficou tão deslumbrada com o presente.
e muito tempo depois lembrava dele. e distraiu-se.
[inspirar...]

eles estavam ali e de repente, não mais.
e o espetáculo enternecia os que continuavam.

porque o mundo não parava de girar.

aqui.
ali.

10 de jan. de 2010

desculpa-me, abri suas gavetas. Vi as cartas, todas as dedicatórias.

entre curiosa e culpada te peço perdão.

percebi que o que mostravas era tudo 'que querias que eu visse.

encantei-me, entretanto. emocionada, quase derramei lágrimas.

por fim vi teus olhos. eles me acusavam.

então fiz o meu papel e fingi que não era comigo.

no domingo, perambulei, arrastei-me.

fiz a lista.

escutei ac acalentando dores de cotovelo debruçada e aérea. pela janela vi que você não passava.

e lembrei que sabíamos sorrir.

pela janela...

enquanto você acenava pra mim...


e enquanto lembrava fui segurando com carinho e guardando tudo numa caixinha.

e nunca entenderia a razão pela qual não estudara física quântica.

e percebia o quanto já sabia.

e havia aquele sentimento de amor.

e era um tanto quanto paranormal.

bastava estar vivo.


e sentiu-se em paz ao ler que o santo admira muito mais o cordão que une as pérolas.

...

7 de out. de 2009

ela brinca feliz com uma formiguinha triste.

4 de out. de 2009

masturbação literária.
quando [eu] me leio.
quando tu te lês.
quando eles se lêem e leem...
leem,
aquele ela.
ele e ela. entre mim e você, mais nada.
um espelho que reflete o lago de Narciso.
finitude. fin.

2 de out. de 2009

[a gente vive esperando o final. 'no fim tudo dá certo', mas a gente não vê.]

atrás da cachoeira respira-se. o chão é pedregoso. sente-se frio.
as letras desmancham-se na umidade antiga de uma verdade mística, cíclica e apavorante.
brincadeira. riso. cor.
sorrateira dor.
secreta mentira.
novamente o frio.
fim.

[eternidade]

11 de jul. de 2009

a água fria escorria na pele arrepiada. na cabeça, a idéia brilhante de [...], o seu, enquanto não revelasse.
nada podia contar porque criava um suspense impublicável, mulher prática que era.
mulher impublicável.
vida.

27 de mar. de 2009

oca ocre ocasião
de
acomodar comodamente num cômodo qualquer
a
certa certeza
para
viver vividamente
essa
mente mentirosa
e
amorosa
de um
amor rosa
e
amarelo
amar ela

[para quando você souber dizer fim]

22 de out. de 2008

seria pardal aqueles passarinhos na varanda dela? já criara canários. esse gosto devia ser herança de um papagaio que tivera na infância. uma vez comeu carne de tatu, achou dura. as pessoas têm preferência por alguns bichos. é cultural. onde já se viu? um sacrilégio comer carne de vaca. escorpião torrado ou patola de caranguejo? urubu da terra ou urubu do mar? na hora da fome pode ser papelão, cola, revista colorida. dá pra fazer um mosaico, um quebra-cabeça, jogo de memória. consumível, reciclável. brincar de viver. aquela mulher daria pra fazer um livro. ela imaginava a avenida toda enfeitada com cordões e vidrilhos pendurados de um poste a outro. seria mais bonito dizer adeus assim. era uma típica pessoa típica. previsível sob o poder, como quase todos que se corrompem. não se assustou quando seu passado secreto foi revelado. sabia que possuía dentes, poderia morder. o fato é que aquele passarinho imitava todos os outros, parecia vulgar, além de cosmopolita. dizem que o canário canta para atrair a fêmea, enquanto essa, pia. do rouxinol, o imperador. há um pássaro cívico. e o bem-te-vi lembra infância e margarina. em alguns lugares era hábito jogar borboletas sobre os noivos após a cerimônia. plácida manhã barroca do dia em que o sol entra em escorpião.

17 de out. de 2008

era uma caixinha pequena. agradeceu com os olhos marejados. desatou a fita, rasgou o papel. abriu a caixinha e achou muito lindo vê-las sobre o azul. eram duas. receber é bom. (foi quando um soluço que não pode segurar rompeu e balançou seus ombros caídos).


arrependeu-se do que dera. não queria de volta. eram coisas estragadas. depois de secar as lágrimas encheu-se de coragem e percebeu que não sendo árvore não haveria fruto ou flor, não era a sua natureza essa. Mas havia os sentimentos. havia o pedido. havia a vergonha. e por fim a certeza. recolheu o que precisava e não precisou falar. a vida mostra. esperou.



um dia encontraram folhas secas pelo chão... cada tempo, sua estação.

16 de out. de 2008

começou na pontinha do dedo mindinho. coisa que se pega. aquelas que não são boas de se ter. é pesado. ninguém via. incomodava pouco. quando menos se esperou invadiu as coxas. saias longas. tudo pode ser escondido, menos o que se traduz no que o olho mostra. e um dos olhos ficou intacto. era uma janela mínima, mas uma possibilidade. mínima. morreu disso.

10 de out. de 2008

imagine uma nuvem branquinha. você deita, sente a maciez e ela te leva sobre planícies, mares, lagos e montanhas encantadas. você vê fadas e duendes. você dorme e sonha que tudo não passou de um sonho. acorda num susto e quase cai das nuvens. então chove. e você abre asas com listras coloridas que enfeitam o céu feito um arco-íris. e voa pra um lugar perdido. eternamente perdido. então você cresce. rápido demais, sem tempo... descobre que a nuvem era doce e vc nunca provou. que se tivesse mergulhado viraria Iara.

2 de out. de 2008

30 de set. de 2008

gosto estranho esse de saber o que se passa por dentro. O gosto do que se prova é outro. coisas de ver e coisas de saber. é verdade aquilo de não se sentir no coração o que não se vê? eu sei que o cérebro não distingue o real do imaginário quando se quer. escritores machos mortos ou em vias de. fêmeas, tanto faz.

18 de set. de 2008

era uma árvore de vasto caule e densas raízes. folhas quase outonais. pétalas primaveris choviam um aroma suave. singelo chão. luz respirando o arco-celeste. e aquela sombrinha escondia você. te inundei num gosto salso vertiginoso e te restaurei o ar com folhas de ouro. alento. germinamos nosso enigma e cultivamos o cuidado. nossa era.

12 de ago. de 2008

11 de ago. de 2008

des classificados

eu não desenho sapatos.

não sei usar sal.

de manhã é preciso olhar pro céu.

algumas coisas fazem bem.

faz um ano de saudade.

criatividade é saber o que fazer. e fazer.

o ócio necessário.

27 de jul. de 2008

20 de jul. de 2008

são fotos. antigas. a pele era de batata inglesa descascada. crua.
rosas pelo caminho. as de se roubar. solitárias. belas. medíocres de tanto perfume.

[corpo sentindo lesmas desenhando caminhos viscosos.
porque até na mostruosidade do inferno que não conheces és delicada e bela como a pétala fenecida.
e de um gole sorves a pastosidade escura da vida.
e um cheiro que arranca o que não se concebe como seu.]

retalhos do que não se confessa. porque a repulsa e atração equilibram-se.

lágrimas casmurrianas, as secas. (confissão. porque algumas pessoas SÃO assim. é da natureza própria. os olhos não se arrancam).

Dionísio me fez errar o caminho. com esse gosto de ressaca.
minha ingenuidade. ainda me choca.

14 de jul. de 2008

o capítulo um chamar-se-á 'sim'. página em branco. o que terá acontecido? apaguei? não escrevi? melhor entrar logo na história. depois conto como começou. será crise ou alegria? idéias em branco.

então ficaremos feito pipas no ar. isso de ser moderno. ponta cabeça. sei plantar bananeira. já esquiei. fiz rapel. mergulho. dancei tango com um argentino. passei 1 semana sem banho em Paris. morei na selva colombiana. escutei o relógio de Praga. senti tremores na Islândia. beijei a boca de um soldado inglês na troca da guarda. e era outono no Canadá. usei cores no México. fui amante de um deus Inca. dancei na Rússia. usei salto em NY. fui gueixa. olhos pintados. rosto guardado. ilhas. e não há nada de novo no reino da Dinamarca. 'tô de malas prontas pra seguir viagem'. viagem de um só.

segundo a velocidade da luz, nós éramos. agora sopro e de minha boca saem borboletas que passeiam em seus cílios e pousam em suas orelhas. cócegas em sua boca. e não é pra você que escrevo. apenas conto que cada letra é uma lágrima implorando misericórdia pela mediocridade pintada.

papel em branco.

17 de jun. de 2008

mostrou como. e era ter. e não havia como perder o que não se possui nessa liberdade aprisionada. contou que às vezes dói. mostrou que não há falta. por 432 dias até hoje. confessou. e pela primeira vez uma tristeza pacificadora. alívio. aceite o perdão. o que sangra. porque dentro, em alguma caverna maldita vive, respira, espera e cresce. e dentro dele uma ínfima esperança. enquanto espera. espécime especial escarlate que escorre e esclarece. 'tão vasto'. uma pílula anti nuclear para sobrevivência do mundo que não é onde se vive. muda-se.

12 de jun. de 2008

Dom Quixote heroicamente contrastando ridicularmente com a nudez inoxidavelmente azul de uma verdade inferida numa névoa desmemoriada e grossa. e agora que represento, percebo melhor. é seu. seja lento, porque é doloroso. não me serve mais, porque teu excesso me falta. e a vida nos escolhe. Clarice mostrou-me a morte primeira. é que vale à pena ser poeticamente incorreto por aquela rosa. por todo aquele mistério. porque represento uma futilidade cômica. e sou partes. e de tudo, não sei tudo. e queria viver no mundo dos acordados. pintaram-me. e mais nada.

6 de mai. de 2008

...
- Janaína.
32 anos, 3 filhos em idade escolar e 1 de braço. olhos vermelhos, brilhantes.
- se eu num precisasse, num pedia.
a mãe doente. o pai ausente.
...
Luzineide e o sol queimando miolos.

2 de mai. de 2008

eram dois ao redor de um. era ameaçador porque desconhecido, por enquanto. ninguém abraçou ninguém. e quando escondeu-se, o pequeno veio e perguntou sobre aquele canto, revelou. era medo tremeluzindo. dentro da Terra não havia lugar possível. então trouxeram espelhos com bordas românticas. não havia sol dentro do azul aquoso. nem aquela sensação feliz. e sua reserva estava feita há muito. não os viu mas sentiu as luzes. passagem e espera. cena subterrânea enquanto o mundo era perfeito e belo. enquanto. com licença, como vai? obrigada. até logo.

28 de abr. de 2008

de alguma forma sentia vontade de atravessar a camada terrestre. por que não sentia medo de cair no céu? zumbido. gotas de chuva espatifando-se. sombras. fumaça. rasgão osônico. fim. quando voltou trouxe estranhas sensações de quem desconhece o que olha. um gosto passado. receio. os gestos de quem não sabe o que tocar. o tempo ri com dor e intensidade. enquanto isso, na rua, um homem gritando e ecoando caos. a mulher e o lenço na cabeça. medo e lembrança emoldurando um tempo em barulhinhos dourados. cada dia chega-se mais perto do indivisível.

25 de abr. de 2008

atravessou verdes liberdades, pousou em claves e num intervalo de suspiro que sente a vida quando se está acordado, não ouviu sequer o silêncio. era seu um perfume breve. uma imagem lúcida clamando perdão e vida, dessas que não se mostram, tampouco fazem-se de outro jeito. desequilibrou-se na dúvida de um perfume eterno. sorveu uma hipérbole drummondiana.! era tarde e só a morte eterna.

23 de abr. de 2008

enquanto você caminha pela calçada e se... cego pela luz desobedeceu-se o coração desfazendo o tempo pretérito(?)

elas não mudam de cor e causam efeito universal.
não é que queira esquecer, mas elas fazem lembrar.
e as vezes a letra não alcança a palavra.
e ouvindo o cântico negro do poeta era (im)possível ser (in)coerente, de um jeito ou de outro.

21 de abr. de 2008

350 metros de altura. os olhos descansam numa tempestade. o tempo acompanha sorrateiramente, esgueirando-se feito fera em domingos. as mãos em mofo rubramente tingindas pelos morangos intactos.
350 metros de queda. os olhos em tormenta prussiana. a fera encontra a vida. o tempo devora os dois e escorre entre as mãos.
350 metros de vazio. os olhos afogam-se num medo azul. as mãos cobrem eles.

10 de abr. de 2008

Para D

camadas lunares sob um lenço numa renascentista tentativa de amor pretérito. alvedrio e arrojo de quem olha como vê. aposto secreto para a multidão solitária de uma sala noir. Júpiter azulando uma sinfonia poética. silêncio dourado numa prata aparente.


[só você]

7 de abr. de 2008

do silêncio que o amor fez em você ficou em mim uma sensação helicoidal de mar por dentro.
por dentro do silêncio.
porque à tona do sopro sou toda ouvidos.
sopra-me e eu buscarei essa sua sensação de silêncio marítimo pulsando e morrendo na falta.
um relicário sempre fechado, jogado fora e escondendo impossibilidades.
porque somos uma espiral desfazendo-se.

3 de abr. de 2008

coisinhas de uma menina amarela para:
.uma menina azul em disparada numa bicicleta que mistura tudo numa coisa só quando passa azulejando o dia.
.um poeta ao pôr do sol cinzelando palavras púrpuras alaranjadas.
.um gato preto transmudando e endoidecendo transeuntes sensíveis.
.janelas, todas elas.



*era uma vez quando você fechou os olhos e sentiu uma cor amarga que escorria no sentir. então mergulhou profundo e emergiu lentamente lavando e levando sentimentos. [...]

17 de mar. de 2008

gastou algum tempo refletindo sobre o ato de levantar ou não. engoliu o café com leite, sem pão. enquanto juntava tudo, uma maçã tinha ares de religião purificando o obsoleto. sabia que o dia seria mais azul, mais verde. a chuva lavaria o embasso, mas enquanto isso, brotava do chão como se a qualquer momento uma camada concreta e espessa fosse boiar. estar nela era banhar-se no que não se controla sob o grito poderoso do trovão. o resto era reflexão sobre como manter o bom humor ensopada, atrasada, sem dinheiro para o ônibus. o jeito era voltar e buscar em casa. mais atraso. no fim saberia que chegaria ilesa, mas enquanto isso o motorista queimaria a parada. parecia um dia que não se quer. e quando tudo cumpriu a cor, a panapaná justificou tudo.

13 de mar. de 2008

saudade em passado, presente e futuro

eu
dobradura de papel para os olhos sentirem paixão na cor madeira
tu
o que se tem e ainda não se viu
nós
o sonho que embala a esperança

20 de fev. de 2008

oco, seco, escuro e profundo.
arrebatamento circular obsceno e luminoso.
análogo e díspar, quase cílios.
desvairado e abstruso, assolado.
espectro clandestino.
[ponderando uma espiral]

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pisar unhas inflamadas
arranhar paredes com as unhas
arrancar fios de pentelho
puxar orelhas
avermelhar faces com as mãos
socar estômagos
buzinar silêncios
morder lábios
tocar olhos abertos
...
desamar e
sorrir.

(lé
cré


fá)

19 de fev. de 2008

'desapego ao que não tem mais funcionalidade [dorzinha]. "fase crítica, mas também libertadora, natural das luas cheias... concede o dom da renovação"...'

:uma lua cheia de coisas crescentes e novas pra nós.

18 de fev. de 2008

'frutas e flores pela manhã.
cheiro de peixe podre no fim da tarde.'
[sacada 'Young'.]



"a dúzia, o maço, o bocado, o pedaço e o buquê"

14 de fev. de 2008

sabor enjoado, amargo, azedo, salgado, doce, apimentado. finalmente a fome.
'amanhã não vou te procurar e você vai me achar melhor.'
(desamarra o meu pé da mesa. tira a mordaça da minha boca. desata os nós em minhas mãos. abre a portinha.)
não mais seguirei por ali.
[no dia em que as coisas passadas não importarem mais, não vou nem perceber.]
por que não sou silenciosa como uma japonesa?

12 de fev. de 2008

6 e 9 da manhã.
cochilo até o despertador gritar 6 e 13.
ontem eu vi quando o mundo ficou 13:13.
não há certeza possível.
...mas ainda recupero o fôlego das lágrimas agora evaporadas. proteus. como quem vê o mundo ao tirar-se as cascas. por baixo da aspereza tudo é suave... 'lisuras'.
a coisa mais branca que posso imaginar é o que há por baixo da casca da macaxeira mesmo. penso no que não devia.
às vezes sou pornográfica, como 'o anjo'.
sou. és. somos.
pra sempre...

23 de jan. de 2008

um
encanto
de canto
num recanto

equanto o
sapo coacha.

P.S. eu tenho uma amiga linda. do tipo que te dá a lua numa noite luminescente. eu até acho que é amor de alma. "Como é que a alma entra nessa história? Afinal o amor é tão carnal. Eu bem que tento, tento entender mas a minha alma não quer nem saber só quer entrar em você. Como tantas vezes já me viu fazer... E eu digo calma alma minha. Calminha! Você tem muito que aprender..."

11 de jan. de 2008

cabeça pousada lentamente sobre a coxa dela.
mandalas imperiais.
e por último o sorriso escondido da lua.
.
.
.
.
.
e era tanto mais.

6 de jan. de 2008

enquanto Janis Joplin rasgava seus sentidos...
a pele e a água.
parecia Deus acenando porque ia deitar.
quando as bruxas chegaram não havia o que ser dito.
magia.
fogo.
a mandala que nos uniu numa aliança secreta.
nós e o mundo.
e Deus soprou um segredo.
e é perigoso contar.

4 de jan. de 2008

não foi de repente que aconteceu.
lembrou que precisava ler 'o processo'. coisas tão reais que... coisas imaginárias.
o óbvio descoberto. mas ninguém pode ver o paralelo do outro. é-se.
e resolveu contar ao mundo o que via. e mais, o que pensava do visto. foi um choque! tudo soou tão medíocre.
às vezes a vida engole a gente com uma boca imensa. tão grande que a gente encontra aconchego primeiro numa maciez de lábios carnudos e suaves róseos avermelhados úmidos, depois esquece-se. e acorda-se fora da vida. e o grito não alivia, tão pouco consegue-se chorar. dobra-se e volta-se pra o ventre da terra. e ela nos pare. nascemos relva. e brilhamos. e ficamos soltos no mundo. e somos. [e nunca mais calamos. porque até esse silêncio preenche os sentidos.]

2 de jan. de 2008

acordou dentro de um sonho. deve ter sido a 'sálvia'.
abriu os olhos e se assustou com isso de ser.
sentiu o maior medo do mundo.
depois tudo ficou com cara de revelação.
e nunca mais pode ser da mesma maneira.
já era tempo. tempo, tempo, tempo, tempo.
a morte é o tempo. a morte mata o tempo. o tempo engole a morte.
-muito prazer. My name is Melissa. e penso, às vezes, em passear nos jardins da tamarineira.
e nunca me sinto abandonada. e nunca me sinto traída. mas 'sou áspera'. porque ainda não sei. 'isso é a minha maior liberdade'.

26 de dez. de 2007

penas. brilhos. pés. pó.
ver e sentir.
pensar e não estar ali.
Fernando Pessoa tinha razão.

escreve uma carta me chamando de Ofelinha como ele fez...

9 de dez. de 2007

havia vida e essa era como quando pula-se de uma cobertura em câmera lenta [como em m]. ...constantemente e em pequenas explosões que se fazem ver. não fazia as tarefas de casa. gostava de sair à rua olhando pro verde e azul em dias amarelos. no ônibus, um piano e violino formavam um dueto calmo e alegre. ouvia-se o bebê balbuciar sons gostosinhos de sentir. por fim o ônibus descansou sob a sobra de um Ipê.






[uma vida inteira que te trouxe até esse momento em que o fio desprende-se e eu o guardo]

7 de dez. de 2007

olhos 'rubi' que fecham-se para escutar o vento na pipa que não está.

17 de nov. de 2007

Ouviu uma historinha de linhas paralelas que puxavam para si o infinito. nele se encontravam. E depois disso riu jogando a cabeça para trás. riu pensando se as linhas eram horizontais ou verticais e se isso importava. queria mais era falar do pó da asa da boboleta que fica preso na ponta dos dedos.

15 de nov. de 2007

enquanto comia as sobras frias imaginava o que faria com as sementes que ganhara. era preciso plantá-las. copiar alguns poemas. fazer cartas de amor e desenhos. bolachas dentro da validade. roupas. pacotes fechados com delicadezas de ver e tocar. um luxo de lixo.

9 de nov. de 2007

a chuva nos olhos vazios 'blade runner'...

8 de nov. de 2007

chuva amarela...
e quem como eu correria pelo asfalto pra ser tocada pela flora amarela?

menina triste...
o que vêem esses olhos perdidos de vazios?

ser...
pre-encher com o que ainda não aceitou de completamente seu...

assim... quase que já...

(ainda)

6 de nov. de 2007

era... que se contentava com um céu cinza ou azul, algumas espatódias caídas na calçada ou... era-lhe pouco o necessário para ser (quando sentia)...
é uma ela que se pergunta se excesso de azul do céu faz mal pra alma.
era... de incertezas certas, mergulhos internos, vôos que explodiam em gritos de...
é... uma agora que não sente como antes (S-I-M-P-L-E-S-M-E-N-T-E)
porque o que via era, agora vê outras coisas...

[amiga, pra isso existe 'o medo da eternidade', porque sentir é procurar... sabia? (e vice-versa)]
(ainda bem que você existe)

1 de nov. de 2007

"prefiro o barulho do mar"

31 de out. de 2007

----era uma vez uma puta que se fudeu na vida e como não sabia 'dançar um tango argentino' resolveu entrar pr'um convento. ficou extremamente sexy de cabelos curtíssimos. a madre gostou, o padre também. não havia nada a fazer. mudou-se pra Argentina e aprendeu a dançar tango.-----

30 de out. de 2007

porque isso não é pra qualquer um não. tem que ser brega. tem que andar de ônibus e gostar. tem que. mentira. é pra qualquer um. é que eu não queria dizer. mas certas coisas precisam ser vomitadas. pra que ficar guardando? eu não gosto de pagode. e não consegui ser kitschi o suficiente pra gostar de brega, mas confesso que tenho um pinguim de geladeira. é o seguinte. eu me apaixonei. certo. o que você tem a ver com isso? a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada. mas e daí? e não é só isso. houve uma troca sabe? pois é. agora eu tô naquela fase de roer e perguntar : "-o que aconteceu? como você deixou de me amar?" na verdade essa fase passou. e passou também aquela de agradecer por ter vivido esse amor. o que não passou mesmo foi o amor. ainda bem. porque amar inspira vocês sabem né? mas é um negócio que não é pra qualquer um não. é que eu tava no ônibus hoje e a moça do meu lado ouvindo uns bregas e o cara da frente cantando junto e eu pensando: 'esse povo num tem coisa melhor pra viver não?' sei lá. tem? lógico! por fim a gente descobre que é humano. que é tudo igual. mas é igual mesmo. a gente só precisa agir diferente. ah! e quando alguém jogar algo é melhor jogar de volta. é bem melhor do que sair pela tangente, ou pegar e depositar num cantinho. e no fim se te perguntarem você viveria novamente? responder sempre: 'claro! o mundo é vasto!'.

26 de out. de 2007

era uma vez uma menina que conheceu uma ovelha que não gostava do que via quando olhava sua imagem no lago. com a ovelha a menina aprendeu que de vez em quando todas precisam ser tosquiadas. num cartão postal ela viu uma fada que se apaixonou por um menino triste. eles nunca se pertenceriam. encontraram um jeito transformando o menino. afinal uma fada que se preze tem poderes. era imensamente feliz de vez em quando. porque via coisas belas e simples. era imensamente triste, às vezes, porque sentia. era uma pessoa bem normal...

24 de out. de 2007

certas coisas deveriam ser faladas e cridas. pronto. seria fácil e indolor. de vez em quando a gente lê e acredita. é quando já tem vivido. às vezes não entende o que lê. não entende o que vê. não vê. mas se fosse somente acreditar seria como não pensar. era não sentir. como quando deixa-se de fazer porque é proibido e não se questiona por que é proibido. tem sido o que sempre foi. "faça apenas o que você quer".

23 de out. de 2007

"
Para a tristeza

Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta, mas quero deixar de ver você por uns tempos. Vai ser difícil para mim, pois me acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos juntas. Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos seafastaram. Só que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me atrapalha.Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa.Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Você é péssima conselheira para suas parceiras - que o digam a Marilyn e a Sylvia*. Agora, chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O único elogio que eu lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de olheiras.Veja bem: não estou dizendo que quero acabar com você para sempre. Sei que estou presa a você, de uma forma ou de outra, pelo resto da vida. E podemos muito bem ter os nossos momentinhos juntas, aos domingos ou em longas tardes de poesia. Só não posso é continuar à mercê dos seus péssimos humores, dia após dia, sabendo que você nunca irá mudar. Chega de fornecer moradia à sua pesada existência.Desde pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você. Não vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui.Por favor, não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: "Não te quero mal, apenas não te quero mais".

Bye-bye,

Fernanda


*A autora refere-se à morte da atriz Marilyn Monroe e da poetisa Sylvia Plath.
Fernanda Young é escritora, roteirista e apresentadora de TV

"

21 de out. de 2007

de tudo que vale à pena, sentir.
[apesar de, apesar de.]

ouvi a história de uma senhora que vivia sozinha numa casa e um dia comprou uma flor que colocou num quarto embaixo de um ventilador de teto. foi amor à primeira vista. ele girou pela florzinha. mas ela nem deu atenção a ele, bonita como era quis nem saber. mas ele fez de tudo, girou em todas as velocidades, inundou todo o espaço com o seu toque. a flor depois de um tempo não pode se fazer mais de indiferente, começou a retribuir. e foi só troca... ela cada dia fazia nascer uma flor mais bonita pra ele. mas entre eles havia uma impossibilidade. se esforçavam muito mas não conseguiam se tocar. mas isso era um detalhe (dos grandes). com o passar do tempo a senhora esqueceu a florzinha lá no quarto, nem tão pouco ligava o ventilador... nas hélices havia uma camada grossa de poeira. a flor estava quase morrendo na terra seca. mas quem ama, quem vive a magia sabe que o milagre salva. com todas as suas forças, o ventilador girou como nunca havia feito, era quase impossível mas ele girou com tanta força que a casa interia tremeu, o teto cedeu, ele desprendeu-se do teto fazendo um buraco imenso por onde a chuva entrou e saciou de vida a florzinha, por um único instante eles se tocaram. o ventilador girou até o céu. a florzinha floresceu hélices maravilhosas que desprenderam-na do chão. ela estava livre. as hélices-flor eram lindas. "Nosso amor... Já é grande o bastante Pra deixar a gente viver".

18 de out. de 2007

mais uma quinta. tudo certo. o sol brilhando. a roupa azul. um lugar mais tarde. aquela pessoa. tudo certo. só tem uma coisa, uma coisinha fora do lugar. como alguém pode ser tão perverso?

13 de out. de 2007


se eu fosse poeta...
minha dor seria amor
minha alegria teria cor de flor
(cores vibrantes feito o chale amarelo que me agasalha agora)
-mas eu sinto-
sou uma pessoa normal e na minha casa não tem um 'lustre'
*reviver [ao contrário] é reviver*




alguns chamam de mágica... também destino... ou pura putaria... mas as coisas acontecem .... é isso. é bom.. tá valendo... desde que... ou não... as vezes é preciso algo que acelere o processo... noutras vezes é a verdade .. mas nem sempre tem coerência... como agora...

11 de out. de 2007

- bom dia!
- ...
- boooooom dia!!!!!!!!
- bom dia...
- vou aumentar o som tá?
- faça o que...
- ADORO ESSA MÚSICA!!!!!!
- percebi...
- adoro essas cores, essa luz, esse dia...
- você é meio doida!
- meu filho, eu amaria até o cinza do dia e o meu cabelo encolhido se hoje tivesse chovendo.
- quer saber? vou com você!
- quer mais? você jamais viverá isso novamente. esse momento... que foi.
- já sei! o café hoje é na padaria.
- ...
- ...
- você lembra se eu desliguei o som?
- lembro sim. eu desliguei. você é meio aérea em dias como hoje, por isso não te deixarei sozinha um instantinho que seja.
- 'enquanto houver você de um lado, do outro eu consigo me orientar'
- você viu? o poeta entregou chocolates finos a mulher que vive na praça.
- as sombrinhas dela têm cores lindas. adoro a cortina do banheiro também.
- acho que hoje conseguiríamos voar.
- lembrei do ventilador e da flor... foi lindo ver que em algum lugar há pessoas como nós. lembra do ventilador e da flor apaixonados?
- eu quebraria o teto pra que a chuva chegasse até você...
- olha...! viu?
- é perfeito...
-.. nosso
-.. e único...
...........................................................................................................................................................

P.S. 'porque hoje é quinta' e que o sábado seja do nosso 'poetinha'...

9 de out. de 2007

a exata palavra e momento. a conjunção.
o jarro era de cristal, o gato veio do Irã e sem dó nem piedade, por puro ciúme mesmo, enroscou-se nele. um pó transparente que por um instante foi como um sopro do deus. pó molhado, luminescência nas lágrimas.

5 de out. de 2007

havia a história de um novelo prateado que tinha a magia de adiantar o tempo à medida que era desenrolado. havia Drummond falando da velocidade do tempo. co-incidência (fatos).
se não está escrito só resta o tempo mesmo.
['a resposta está na pergunta?']
o tempo feito de filosofia.
...mas todo mundo conversava quando ficava sozinho. e ninguém via as mesmas coisas, mesmo que mostrassem.

Levantou-se cedo, tomou um banho gelado, vestiu uma roupa leve, bebeu um café quente e forte, passou filtro solar fator 30, foi caminhando pro trabalho. o sol na pele, a poeira nos pés. viu a marca do tempo numa pessoa. miséria e cegueira. e o deus disse: me escolha.
finalmente vomitou.

3 de out. de 2007

era uma vez uma menina que tinha um mistério redondo e profundo que não cabia dentro do mundo, não estava escrito no dicionário e não era o que todo mundo pensava.
certo dia viu-se diante de três caminhos, escolheu o do meio e passeava nele olhando para os lados e vendo tudo que havia perdido. Assim nem percebeu o que havia na sua frente e nem o que deixara para trás. quando finalmente o caminho acabou estava de mãos vazias, com fome, sede e frio. resolveu voltar mas as coisas já não estavam mais lá e nem dos lados. então usou suas asas.

28 de set. de 2007

[os dedos acariaciando o rio.
um rio que passa, mas está sempre, enquanto assim desejar-se sentir.]



Era uma vez uma menina com sorte e azul que vivia numa cidade cega e cinza catando palavras e imagens e encontrando pedras no rio.

26 de set. de 2007

[na busca está o encontro]

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Era uma vez uma menina que foi enterrada viva. Em cima do seu túmulo nasceu capim de cabelos. Em noites de lua cheia eles prateavam e podia-se ouvir uma voz triste, abafada e suave que não soava como palavras encobertas de possibilidades e desfazia-se nós apenas sentidos, como um trauma.

25 de set. de 2007

a gente tava falando do ciclo vicioso da vida. [muito vício ali neles]. lembrei da menina explicando a lei da sobrevivência, que é preciso devorar para sobreviver.
*coisas a fazer:
vomitar tudo;
gritar até perder a voz;
não escutar;
(chorar até secar);
[e não esquecer das luvas de boxe];
recompor-se;
... que fica tudo bem.

24 de set. de 2007

será que aguenta?
basta não olhar ao redor.

olhe pra'quelas "carreiras de fios elétricos" e imagine a música que a lua toca pra você hoje. qual nota será? tudo começa com uma clave de Sol.

enquanto você dorme, canta. enquanto sonho, escuto.

21 de set. de 2007

apreciar o sabor seja ele qual for.
só depois de ter bebido o doce amargo pensou na possibilidade de não prová-lo novamente. só depois soube. quem sabe um dia apareceria alguém com outro cálice daqueles. vai saber. mas isso foi depois de muito tempo.

aquela criatura sempre estava lá. de vez em quando e quase sempre em silêncio que era sua forma de falar. numa tarde laranja-quente de uma brisa cinza na pele ela provou. junto com o que não parecia agradável saiu tudo que havia por dentro d'uma só vez. então percebeu que o vazio é o que fortalece e enfraquece uma criatura, essa hora de força nehuma e de todo o espaço necessário pra o que escolher.
nascia-se sempre. cada vez que morria.

19 de set. de 2007

[olhe novamente.
sente?
percebe?
só morrendo mesmo pra saber. "os mortos sabem mais que os vivos. sabem o gosto que a morte tem".
serve?
a flor de lótus é quem dá sentido. Maya.]
era uma vez uma vontade de sair e morrer. então uniu uns seres e fez-se. gastou a matéria e percebeu que o único lugar que existia era de onde tinha vindo. voltou. mas fez-se sempre.

'é uma alegria tamanha. como aquela em que a moça mergulhou as 6:00 h no mar gelado. isso que era só dela. o que é que você tem e ninguém rouba?'

as cores que tocaram a pele. enquanto ela caminhava distanciava-se do que queria ver. e quando se voltava via e sorria. ainda bem que tinha alguém pra segurá-la quando tropeçou. e tudo, finalmente, reiniciou.

17 de set. de 2007

sobre viver.
num mundo tão antigo certas coisas não têm nome. é a elas que sobrevivemos.

[e tem aquele menino que nem percebe como é feliz (ou alienado?) na sua grande bondade]

10 de set. de 2007

a. f. m.
no meio do cinza e abaixo dele, todas as cores do mundo em você. nas asas e no declive pra chegar perto. na procura o encontro em tudo que os olhos tocaram. a textura de se ver. foi tudo por você. o sabor nos dedos. tudo, tudo por você. interiamente por você.
t.a.

5 de set. de 2007

um nariz de palhaço.
uma borboleta amarela.
ele e a chuva.
paciência...

2 de set. de 2007

dessa matéria que ela era. uma matéria com tempo de validade. o que fazer enquanto o tempo nos dá tempo é que se chama viver. e procuro diariamente um algo que me faça rir mas sem perder a angústia. porque não há o que ser feito. mediante ela. e se isso que se grita não é um lamento é um quase lançar-se ao precipício. o tamanho do universo caberia em meu pensamento? e é maior que isso...


[sem fim...]

17 de ago. de 2007

Ela passara dos trinta. claramente vivera tempo demais, coisas demais. havia coisas nela que só quem lesse os mesmos livros entenderia. era recatada, pacata, discreta. vivia só. não tinha amigos, nem amor ou parentes. ela não existia a não ser para o gato, que nem dela era, mas a quem não sabia negar um prato de leite. ela não negava. e nisso estava seu contrário porque ao não negar ela negava o não. ela era quase uma 'mcabéia' ao contrário. mas não era. um dia, num susto de cair quase tonta no chão, deu-se conta de sua não existência. desse dia em diante tornou-se quase que uma obrigação abrir os olhos e afastar levemente as cortinas para ver o céu, abrir as janelas pra sentir o vento, sorrir ou estirar a língua para uma criança, sentir entre os dedos ou sob eles sua essência mofada. assim evaporou-se. nasceu. e gritou. e finalmente entendeu o significado das palavras morte, mudança e vida. colheu-se. simplesMente. e tudo sem um gosto ínfimo que fosse da dor.

13 de ago. de 2007

ela deveria ter contado. era um segredo funesto. [como no filme em que a mocinha contava sobre os crimes do pai, mas o mocinho dormindo não escutava pois por engano tomara sonífero]. e isso seria [um átimo de] salvação. ela deveria ter contado.

7 de ago. de 2007

fazia tempo que vivera um sonho tão agradável. abriu os olhos e percebeu um sorriso leve no canto esquerdo da boca. tocou os lábios levemente. gostava de sentir. esfregou os olhos e caíram as escamas. por baixo de tudo havia uma pureza macia. chorou por sete dias. secou. nesse iterim viveu de sonho. os sonhos não duram para sempre. mas esse em especial adormecia seu ser. era bom. 'sonhos são como nuvens'. quando desperta e ainda feliz do que fora pensou que brevemente ficaria cansada e voltaria a dormir. sonharia novamente. viveria de silêncio por enquanto.

30 de jul. de 2007

era-lhe agradável ao olhar, ao gosto, ao sentir. só precisaria de uma gota. olhou languidamente, nem para erguer as mãos. olhar não cansava tanto, mas ver. seria rápido, sem dor ou algo que lembrasse viver. seria como num sonho em que sabe-se que está sonhando. lentamente ergueu-se, segurou-o entre os dedos e caminhou até a janela. destampou o vidro, sentiu o cheiro e finalmente o gosto. a última coisa que viu foi, entre as cortinas, um céu completamente azul.

17 de jul. de 2007

quando achava que estava ficando louca, tive a certeza. De vez em quando fica-se louca mesmo. ele me contou que o que eu acreditava não era só meu. fiquei perplexa. um pouco. quer dizer que estava certa o tempo todo? quer dizer que para algumas pessoas as coisas são assim? não é segredo, mas é 'íntimo e secreto'. não se pergunta. mas ele me contou. eu não perguntei. distraidamente poderia contar a alguém. não seria meu. seria ao acaso. nem posso dizer que isso me deixa feliz. não se pode ficar alegre com tudo. nem se deve. tem uma menina, que eu amo, que sabe como eu sinto e penso. mas a gente não fala dessas coisas. mas a gente vive. como quando uma vez eu a vi delirar. mas isso é nosso. mas eu não conto o delírio. é que estou encantada por saber-me louca, às vezes. e hoje é um dia que não estou triste. o céu está azul, não intensamente, porque nas bordas dele há um cinza branco clarinho das nunvens que o enfeitam. estarei embaixo do céu e no meio da Terra. e hoje sou completamente dela. TA.

11 de jul. de 2007

você já viveu um dia oco? viu a cor de dias em que você pensa na inexistência das coisas? em nada? no que não existe? e torna o inexistente real? e assim é. sempre é. mas não há nada. porque ou se vê, ou se ouve, ou se sente, seja lá de que jeito for. e se não, não há. é absurdamente simples e triste. assim que se torna o inexistente um é.
mas existe uma sapatilha preta de verniz. e uma moça usando tafetá, organza, tule e fitas.
há uma raiz sobrexposta num terreno inabitado. ninguém vê a lama ou sente o cheiro q dela se desprende. tão pouco a cor.
a moça dança balé. o moço toca piano. senhor e senhora se respeitam pelo ódio que restou.
e algumas coisas são. sempre. outras não. nunca.
'e quase sempre nunca é o bastante.'
(nem sei mais se) gostaria de ouvir um axioma.

4 de jun. de 2007

pensou na história do pé e dos filhos dedos. e pensou que se o pé fosse uma raiz alguém poderia arrancá-la a qualquer momento. já vira acontecer antes. e quando se arranca uma raiz, não tendo-se cuidado, morre-se. mas se raiz e viver plantada ou se raiz e ser arrancada? morre-se de qualquer jeito. às vezes o que se tem é mais tempo. mas morrer não é o fim. transformar-se é a morte do que foi. a vida é um ato em suspenso. cuidado ao atravessar a rua. cuidado com a casca de banana. vive-se por cuidado. se tivesse escrito. mas é absurdo demais. é tudo absurdo demais. não agradecerei por cuidarem da minha vida e saberem exatamente como devo viver, o que devo fazer ou pensar. é tudo muito absurdo mesmo.

P.S. farei um buquê pra você. enrolarei com folhas de poesia. e nas flores misturarei as letras do que sinto só pra você decifrar.

2 de jun. de 2007

...Então, suavemente, fechou os olhos. Levantou-se. Caminhou pela sala. Queria sentir em suas mãos o gosto das coisas. Sorvia o perfume dos cantos. Inclinou-se, abriu a boca e com a língua sentiu a frieza de uma superfície lisa, metálica. Sentiu os contornos. Moveu lentamente a língua de baixo pra cima num longo gesto. Levantou-se e, levemente tonta, caiu em pé sobre a parede. As mãos puseram-se a sentir a aspereza macia e meio aveludada do que não via. Uma leve dor instalou-se sobre seu ombro esquerdo. Agachou-se e deitou-se espalhada no pelo macio. Enroscou-se sobre si mesma e chorou. Chorou o silêncio da pergunta sem resposta. Chorou as respostas que não perguntou. Chorou a presença daquela ausência dolorosa. Chorou e finalmente chorou. Da sua alma um botão que mais tarde chamou de alívio, de certeza. E pensou que não trocaria por nada ou por o tudo que lhe oferecessem, aquela sensação de estar viva e sentir dor. Porque isso provava sua existência. Então abriu os olhos e não viu mais nada.

1 de jun. de 2007

Eu queria que isso ficasse entre nós. Não entendo por quê você contou. Era segredo. E agora acho bobo o que era. Só você sabia. E eu. Era o que nos fortalecia [ela disse a mim uma vez falando de segredos e sentir]. Meus pés não são bonitos. Guardo as coisas que gosto numa caixa. Um dia abro a caixa e tudo que ali havia se guarda dentro de mim. Nessas horas fico bela. E até meus pés ficam bonitos. Mas eu não me importo de verdade. E fico até com medo de ter um gato. Tem dias que tudo tem sentido. Te convido para um chá. Comemos biscoito e bolo. Te convido pra um vinho. Ficamos meio embriagados. Te convido pra uma sopa. Lemos poesia. Tem dias que a gente fica triste. Tem dias que a gente fica alegre. Tem dias que a gente não sente nada. Tem dias que faz sol. Tem dias que chove. Tem dias que a gente não lembra. mas apesar de feios os meus pés me aquecem. é por eles que me nasce o calor quando sinto frio. e é por eles que sinto o mar primeiro. eles me sustentam. e com eles percorro a minha vida...